quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Escritor Oliver Sacks e a Tourette

Entrevista para a revista Época.
Se alguém souber qual o livro que este escritor escreveu sobre Tourette , deixe um comentário. Beijos Daniela



Adam Scourfield AP/BBC
 
O médico britânico Oliver Sacks, de 77 anos, ficou conhecido por descrever casos muito peculariares de alguns de seus pacientes em livros como Enxaqueca e O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. Além de explicar de maneira acessível essas raras condições neurológicas, Sacks relata como essas pessoas conseguiram, de alguma maneira, superar as limitações trazidas pelas doenças. Em sua nova obra, O olhar da mente (Companhia das Letras), o neurologista inglês conta histórias de pacientes que enfrentaram alguma dificuldade para ver. Uma pianista que perde a capacidade de ler as partituras e um escritor que não consegue ler, mas continua escrevendo, são duas delas. A diferença é que, neste livro, Sacks deixa o lugar do médico e relata as suas próprias dificuldades desde que, por causa de um melanoma, perdeu a visão do olho direito. Nesta entrevista, o médico conta o que mudou em sua vida após a doença e reflete sobre a capacidade de adaptação dos seres humanos.

ÉPOCA - Neste livro, o senhor conta a história de uma pianista que, de repente, perde a habilidade de ler as partituras, mas consegue recuperar a capacidade de tocar. Como é possível superar esse tipo de limitação?

Sacks – A superação ocorre quando o cérebro encontra outros meios de fazer a mesma tarefa. Quando um caminho se perde, outros tendem a se tornar mais fortes. É um processo em partes automático e em partes voluntário. Essa pianista começou a ouvir com mais e mais atenção porque era sua única chance de continuar na música.


ÉPOCA - Alguns críticos o acusam de explorar a desgraça de seus pacientes em seus livros.

Sacks – O que exploro é como as pessoas sobrevivem às desgraças, particularmente a um problema neurológico, e não a desgraça desses pacientes. Sempre escrevo com respeito, simpatia e preocupação e peço autorização ao paciente e à família. Não apenas uma autorização formal. Quero ter certeza de que o paciente vai se sentir bem. Como neurologista, recebo pacientes com infortúnios neurológicos. Mas sinto que podemos aprender muito com isso. As descrições do problema de um paciente meu podem soar familiares para outras pessoas, que podem se sentir confortadas se as histórias mostrarem as adaptações, a resiliência. Escrevo, em parte, para dizer que não é o fim do mundo. 
ÉPOCA - Escrever sobre a síndrome de Tourette (transtorno que leva as pessoas a fazer movimentos repetitivos e involuntários), como o senhor já fez, pode ajudar os pacientes?

Sacks –
A vida pode ser especialmente difícil para pessoas com síndrome de Tourette porque os outros não as entendem. Podem ser alvos de piadas e agressões na escola. Talvez eu tenha ajudado a apresentar a síndrome ao público e isso tenha gerado uma espécie de entendimento, de empatia, que torna mais fácil a vida dessas pessoas. De maneira semelhante, com este livro espero esclarecer o que é prosopagnosia, também chamada de “cegueira para feições”, um problema desconhecido do público em geral, mas que afeta milhões de pessoas.

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