quarta-feira, 31 de agosto de 2011

RELAÇÕES AFETIVAS


Relação afetiva comprometida
Até nós, pais, entendermos o lado da tourette que não é bem explicado, tudo se complica. A relação afetiva fica deteriorada. É como se o laço que nos uni estivesse se puindo. Isso envolve a todos que convivem de perto com a Tourette. Eu não conseguia entender o que se passava com meu filho, tudo estava mudando e os livros não explicavam isso. As vezes, eu achava que era eu que não sabia ser mãe, e isso me machucava. O médico dizia que podia ser da adolescência ,que o pai devia está mais presente, justificava que nessa idade o filho precisa da presença masculina. Ele tinha pai e o pai era presente , trabalhava, mas era presente.
Eu fiquei péssima, de um lado estava meu filho que não queria estudar, que se descontrolava por nada, vivia nervoso, discordava de tudo, não parava de reclamar. E do outro, meu filho mais novo assistia a tude de camarote. Via o irmão que ele tanto amava desse jeito,e me via chorar, colocar o irmão de castigo, brigar , gritar.
Era difícil para mim ver minha família um caos por causa de uma síndrome e não poder fazer nada, a dúvida existia sempre ,ninguem tem noção de quantos livros eu li, outros eu comprei e no meio eu desistia de ler, porque o que eu tentava fazer, não servia e os livros só nos deixavam mais frustados. Quanto mais punição eu aplicava, mais as coisas se complicavam. Enquanto eu estava péssima , por não saber impor limites, por não conseguir que meu filho voltasse a ser quem ele era, por nossas vidas passou um furacão. A sensação é essa: se deixar a tourette te vence.
Mas eu sou neta de teimosa, filha de teimosa e não podia ser diferente, também sou teimosa, continuava me perguntando o que eu estava fazendo errado. Meu filho criou aversão de estudar comigo e eu quase pirei. Mas, surgiu a professora particular para acalmar os ânimos. Quase perco o amor do meu filho, muito mais importante que escola, muito mais importante que letras, muito mais importante que regras. Ele não me ouvia, estavamos perdidos e nenhuma luz. Tudo acontecia ao mesmo tempo e ainda não era todos os dias. Insisti com o neuro se precisava levá-lo ao psiquiatra, mas não tive resposta. Eu confiava plenamente no tratamento, mas não tinha explicação.
A psicóloga do meu filho me cobrava um psiquiatra , eu fugia sempre , tinha medo de mudar e ser a responsável por um possível erro. Mais que erro, se tudo estava uma bagunça.
Eu não aceitava a Tourette ainda, e,  pior que isso , eu não era íntima dela , ela não era minha companheira , eu odiava essa síndrome que fazia meu filho sofrer . Nesse tempo , eu ainda não abria para todo mundo as portas da Tourette. E eu, uma mãe apaixonada, não compreendia meu filho . Hoje eu imagino como ele se sentia.
Com 12 anos, tudo piorou, a letra ficou ilegível.Eu já tinha prática ,mas os professores não . Já não copiava tudo e começou uma enorme dificuldade em matemática. No meio disso tudo, ainda tinham as compulsões e pensamentos que se repetiam sempre.
Os medicamentos eram trocados , ele dormia sem parar, não assistia tv, não jogava, não bricava. Bati muito nessa tecla com o médico e medicamentos iam e vimham , eu queria uma comunicação maior , um entendimento de tudo . Cada vez mais as coisas se complicavam e meu filho sofria. o descontrole era comigo, depois se arrependia como se o movimento do pensamento terminasse. Comportamento na escola : normal. Era só comigo.
Por mais que eu colocasse regras e limites , ele não aceitava.
Foi tudo acontecendo lentamente aos 8 anos de idade e crescendo . Nada passou sem que eu notasse , e como um furacão aos 11 anos e meio, tudo explodiu. Fui apertada por várias chaves de fenda protetoras e finalmente quase que forçada levei-o para uma psiquiatra. Um medo que só Deus sabe explicar. E ela teve que mudar tudo. A responsabilidade era minha, concordar ou não , deixar o outro médico ou não, o que fazer era decisão nossa. (família)

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