Estou compartilhando texto do blog-irmão de Buenos Aires http://mistics1.wordpress.com/2011/11/06/relacion-entre-el-tourette-y-los-ataques-de-ira/
O Texto seguinte é adaptado de uma entrevista em Inglês publicado no "pedir o especialista", a revista da Associação para Síndrome de Tourette dos Estados Unidos, publicado na Primavera de 2007.
Sr. Denis G. Sukhodolsky, é um psicólogo e pesquisador do Centro de Estudos da Criança na Universidade de Yale. Em 2001 ele foi premiado pela TSA para um estudo intitulado "Intervenção para a gerência da raiva em crianças com Síndrome de Tourette."
Qual é a conexão entre Tourette e da dificuldade de lidar com a raiva em algumas pessoas? Como concorrentes distúrbios (OCD, ADHD) contribui para a incapacidade dessas pessoas para controlar a raiva?
A raiva é uma emoção básica. As pessoas geralmente relatam ser irritadas uma a duas vezes por semana, e que, em média, essa raiva dura pelo menos 13 minutos.
Raiva varia em intensidade de incômodo leve a um acesso de raiva. As pessoas expressam essa emoção de maneiras diferentes - alguns adaptadores, tais como encontrar uma solução para o problema que causou a raiva, e outras formas estão longe de ser socialmente adaptável como gritar ou bater em alguém.
No nosso estágio de desenvolvimento e socialização, aprendemos a controlar nossas expressões inadequadas de raiva. No entanto, raiva intensa freqüente, principalmente se acompanhada de gritos, empurrando ou arremessando coisas, cria um problema não só para aqueles que vivem, mas especialmente para aqueles que são vítimas desses atos.
Crianças, adolescentes e adultos com síndrome de Tourette, particularmente aqueles que procuram atendimento clínico, tendem a relatar níveis de raiva que estão acima da média da população. Por exemplo, em uma pesquisa com 3500 pessoas com síndrome de Tourette, a raiva intensidade dfoi expressa como um problema em 37% dos participantes. Agressividade, raiva e teimosia são relatados em 60% das crianças com síndrome de Tourette que chegam com seus pais no escritório.
Devido à e imprevisibilidade em resposta à menor provocação, explosões de raiva no tourette têm sido descritos como ataques de raiva ou tempestades. Estas tempestades são uma reminiscência das características do transtorno explosivo intermitente, bem como as de ataques de raiva em pacientes deprimidos.
Ainda não está claro se a raiva em excesso faz parte de ter a síndrome de Tourette, ou relacionadas a distúrbios simultâneos da síndrome, ou o resultado de lidar com uma doença crônica. Na verdade, a relação entre a severidade dos tiques e raiva é difícil de estudar devido à natureza cíclica de tiques
. Episódios de raiva freqüentes e intensas podem se tornar um marcador de uma forma mais severa da síndrome de Tourette. A melhor pesquisa documentada até o momento indica que hoje têm transtorno de déficit de atenção com a síndrome de Tourette pode contribuir para um comportamento mais mal-adaptativos e aumento da frequência de episódios de raiva.
Também é provável que os mecanismos de controle de impulso e emoção estão de alguma forma afetadas em pacientes com síndrome de Tourette, mas esta hipótese ainda está esperando para ser investigado.
Existe alguma coisa que os pais podem fazer para ajudar seus filhos à ira controlar melhor? Descrever as técnicas básicas que você usou para ajudar a criança a controlar seus acessos de raiva.
Há uma série de estratégias que os pais podem usar para ajudar seus filhos com raiva. Um dos melhores do tratamento conhecido comportamentais para a raiva e agressão, é chamado de " o pai de formação s ". O método ensina aos pais como para reduzir a freqüência ea intensidade desses ataques. Habilidades básicas incluem gerar reforço positivo para o bom comportamento, comunicação eficaz das políticas, e ser consistente com as consequências para o mau comportamento. "
Algumas fontes que está disponível para ambos, os pais e profissionais de saúde ,sobre o tratamento inclui a publicação de Alan Kazdin "Formação em Gestão Parent" (Oxford 2005) ou "criança desafiadora" (Guilford, 1997). Os programas de formação dos pais pode ser constituída de 8 a 12 horas semanais reuniões. Cerca de 60% dos pais relatam uma redução significativa no seu comportamento adaptativo de seus filhos.
O " treinamento em controle da raiva "é outro tipo de terapia cognitivo-comportamental, temos avaliado em adolescentes com síndrome de Tourette exibindo raiva excessiva. Isto envolve 10 sessões semanais em que são instruídos sobre a regulação das emoções, resolução de problemas e dramatizações são feitas sobre comportamentos adequados que podem ser usados em situações frustrantes.
Por exemplo, como parte da solução para o problema, as crianças devem identificar e avaliar as conseqüências de várias ações em si mesmos e outras pessoas envolvidas em conflitos hipotéticos.
Depois disso, você pode pedir a criança para recordar uma situação em que foram frustrados, pedir-lhe para agir a situação e tentar resolver os comportamentos que teria reduzido a dimensão do problema. No final de cada sessão, cada criança é atribuído lição de casa para praticar e resolver situações que podem levar a raiva. Deve gerar relatórios por escrito a ser discutido na próxima sessão.
Tanto a formação dos pais e treinamento para controle da raiva são exemplos de intervenções psicossociais que têm sido estudados e demonstrou ser eficaz em crianças sem tiques. Recentemente, a dois estudos sobre essas intervenções em crianças e adolescentes com síndrome de Tourette complicada pelo comportamento irascível e explosivo
Um estudo avaliou os efeitos do treinamento para os pais que tiveram filhos com idade entre 6 a 11 anos, e outro estudo avaliou os efeitos de treinamento para controle da raiva em adolescentes de 12 a 16 anos.
Concluímos que as dificuldades na interação familiar e problemas de regulação emocional das crianças pode contribuir para um comportamento perturbador visto no tourette. Esta conclusão não é diferente do que já foi observado em pessoas que têm síndrome de Tourette. Embora as populações da amostra eram pequenas, os resultados têm sido motivadores, e sugerem que tanto a formação dos pais e treinamento para controle da raiva podem ajudar a reduzir o comportamento disruptivo em crianças e adolescentes com tiques. No entanto, são necessários estudos com populações maiores para confirmar esses resultados.
Quando é aconselhável consultar um terapeuta? E como a família pode encontrar um profissional que pode ajudar?
Há vários sinais que indicam quando os ataques vai exigir cuidados clínicos. Isto inclui os comportamentos que põem em perigo a criança ou outras pessoas, há um risco de danos à propriedade, que na verdade tornam-se freqüentes ou muito intenso, o que leva à desorganização da vida familiar que gera um desempenho ruim na escola, ou alterar o relação da criança com seus pares.
As principais causas de ataques de raiva em Tourette ainda são desconhecidos. Assim, quando as crianças e adolescentes com síndrome de Tourette são trazidos para a consulta, os ataques de raiva podem ser confundidos ou atribuídos ao fato de que com a síndrome de Tourette, por isso a existência de algumas doenças co-ocorrem, tais como distúrbio de déficit de atenção pode não ser investigado. Além disso, esses ataques podem ser um dilema para os revendedores que deve decidir sobre abordagem para o tratamento de tiques (característica principal da síndrome de Tourette) ou transtornos de conduta. Uma avaliação cuidadosa do comportamento e psicopatologia associada deve ser um dos primeiros passos no planejamento de um tratamento para essas crianças.
Como temos estudado tratamentos em nossa clínica na Universidade de Yale de Tourette, há uma boa chance de que profissionais de diferentes especialidades, tais como psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e psiquiatras para se especializar no tratamento e controle dos pais raiva. O seu médico pode consultar alguns destes profissionais. Alternativamente, você pode contatar um profissional de saúde mental na sua ficha médica, e perguntar-lhes sobre sua experiência com tratamentos para a indisciplina.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Kit para professores sobre como lidar com Tourette, ajudando!!!!!
Estou muito feliz em poder dividir pesquisas , reportagens, estudos científicos , vídeos , nossa história...
Mas , em especial, dividir a apostila para professores,me deixou muito feliz .
Por que foi um trabalho de muita pesquisa e que se bem utilizada , beneficia o portador da Tourette, a escola, familiares e profissionais.
O kit foi preparado com muito carinho e dedicação .
Me deixa feliz ver que ele está sendo de utilidade para muitas crianças e adolescentes em fase escolar, principalmente para pais e professores
.Quando conheci Lilly, ela precisava divulgar a Tourette em seu país , Honduras, e principalmente apresentar a Tourette na escola de seu filho. Nesse momento eu lembrei de minha angústia , a necessidade de ter um material adequado para entregar e ser seguido pela escola de meu filho. Então, eu me ofereci para mandar o material, mesmo em outra língua, poderia ser útil e foi. E está sendo.
Luis Lehman traduziu e postou em seu blog em Buenos Aires
E o resultado foi este:
Gente! Queria compartirles que dentro de una hora estaremos dando nuestra primera charla a maestros en la escuela de mi hijo!!
Tourette con los Maestros
Lilly Meraz-Sierra Daniela Torres, Luis Lehman muchisimas gracias por todo el material que han compartido!
Sou eu que agradeço. Este é o objetivo desse blog, poder facilitar a vida de nossos filhos com tourette, facilitar no sentido de esclarecer e de apoiar . È trocarmos informações e experiências, mostrar vitórias, lutar contra derrotas , sou feliz por poder compartilhar com vocês...
Obrigada por fazer parte do misTICS - Hagamos algo por el Tourette
Mas , em especial, dividir a apostila para professores,me deixou muito feliz .
Por que foi um trabalho de muita pesquisa e que se bem utilizada , beneficia o portador da Tourette, a escola, familiares e profissionais.
O kit foi preparado com muito carinho e dedicação .
Me deixa feliz ver que ele está sendo de utilidade para muitas crianças e adolescentes em fase escolar, principalmente para pais e professores
.Quando conheci Lilly, ela precisava divulgar a Tourette em seu país , Honduras, e principalmente apresentar a Tourette na escola de seu filho. Nesse momento eu lembrei de minha angústia , a necessidade de ter um material adequado para entregar e ser seguido pela escola de meu filho. Então, eu me ofereci para mandar o material, mesmo em outra língua, poderia ser útil e foi. E está sendo.
Luis Lehman traduziu e postou em seu blog em Buenos Aires
E o resultado foi este:
Gente! Queria compartirles que dentro de una hora estaremos dando nuestra primera charla a maestros en la escuela de mi hijo!!
Tourette con los Maestros
Lilly Meraz-Sierra Luis ya me estan ayudando un mundo!! Lle ve el cuestionario para el docente que Daniela posteo y que vos tradujiste! Siempre le hablo a todos de ustedes y de lo mucho que nos han ayudado.
Sou eu que agradeço. Este é o objetivo desse blog, poder facilitar a vida de nossos filhos com tourette, facilitar no sentido de esclarecer e de apoiar . È trocarmos informações e experiências, mostrar vitórias, lutar contra derrotas , sou feliz por poder compartilhar com vocês...
Obrigada por fazer parte do misTICS - Hagamos algo por el Tourette
sábado, 5 de novembro de 2011
Entrevista Ana Beatriz Barbosa Silva sobre TDAH
Sonhar é preciso"
Edição 2132 / 30 de setembro de 2009 Revista Veja
A psiquiatra conta como sofreu com o déficit de atenção
Eu já estava no 3º ano da faculdade de medicina. Tinha 19 anos. Fui a um seminário em Chicago sobre depressão. Consegui errar tudo: cheguei um dia e uma hora atrasada para a primeira aula. Como não apareci, minha inscrição foi cancelada. A atendente da faculdade viu meu desespero e disse que eu poderia me transferir para outro curso, com início naquele dia. O professor era John Ratey, papa do déficit de atenção. Ele começou a detalhar o transtorno e pensei que estivesse falando sobre mim. Chegou a ser incômodo. Quando a aula acabou, fui atrás dele conversar sobre meu comportamento desde a infância. No dia seguinte fiz um teste que revelou que eu tinha TDA em grau grave. Ele então me disse: "Sobreviver, você já sobreviveu. Sabe se virar, frequenta uma boa faculdade. Mas você mata um leão por dia". Comecei então o tratamento.
Foi um divisor de águas. Senti-me como um míope que põe o primeiro par de óculos e percebe que o mundo é cheio de detalhes. Usei a medicação por cinco anos consecutivos. Hoje, quando escrevo um livro, volto a tomá-la no último mês. É a hora em que junto todas as informações e preciso ter mais senso crítico.
A pessoa que tem o transtorno nasce com uma alteração no funcionamento do lobo frontal. Essa seção do cérebro é um maestro do comportamento humano, uma área em que se cruzam sistemas neurais ligados à razão. Entre outras ações, regula a velocidade e a quantidade de pensamentos. No TDA, esse filtro funciona com eficiência menor. O resultado é a hiperatividade mental e, consequentemente, a perda de foco, de objetividade. Quem nasce com TDA não tem problema de inteligência, mas de administrar o tempo, fixar a atenção, dar continuidade ao que inicia. O transtorno é muito mais comum do que se imaginava. Segundo a Associação de Psiquiatria Americana, 6% da população em idade escolar tem esse padrão de funcionamento mental nos Estados Unidos. No Brasil, as pesquisas apontam uma média próxima a essa.
É um transtorno químico, causado pela baixa de dois neurotrasmissores: a dopamina e a noradrenalina. Essa alteração diminui a ação filtrante do lobo frontal. A genética já mostrou ter papel importante, mas fatores externos acabam interferindo na evolução do transtorno. Se não é cercada por uma organização mínima, a pessoa pode ter sérios prejuízos em sua qualidade de vida.
Sempre achei que havia algo errado comigo. Na escola, tinha horror a ditado. Meu coração disparava: sabia que precisava prestar atenção ao que a professora dizia e, simultaneamente, observar se não estava cometendo erros ao escrever. Nessas horas, eu me sentia a criança mais burra da sala. Fora do colégio, também sofria. Uma vez meu pai, que é professor, corrigiu tanto meu diário que botei fogo nas páginas depois. Vivia com as pernas roxas de tanto cair e bater nos móveis. Meu armário era uma bagunça absurda. Tenho uma irmã cinco anos mais velha, centrada, organizada. Durante muito tempo, dei a ela parte da minha mesada para que arrumasse meu armário. Todas as vezes que minha mãe reclamava comigo, eu concordava, entendia que ela tinha razão. Mas eu não sabia como tudo isso acontecia. No início da adolescência, bateu uma vontade enorme de mudar. Eu era uma criança falante e me fechei. Fiquei retraída, quietinha, para não errar. Vivia no meu quarto, lendo. Isso foi dos 12 aos 16 anos. Na infância me chamavam de pinga-fogo, porque eu não parava. Na adolescência, quando me tranquei, virei Bia Sid (de sideral). Às vezes, achava que era burra. Por outro lado, sabia que tinha conhecimento e imaginação. Acabava o dia com dor de cabeça de tanto pensar. Era uma angústia.
O diagnóstico foi libertador. Passei a me observar. Com a medicação, comecei a fazer mais rápido o que antes demandava muito esforço. Foquei na psiquiatria. No meu trabalho, nada me escapa hoje. Tenho um filme na cabeça sobre cada paciente. Quem tem TDA presta uma atenção acima da média naquilo que desperta seu interesse verdadeiro. É o que a gente chama de hiperfoco. Por isso, acho injusto falar de déficit de atenção. O que existe é uma atenção instável.
O menino com TDA pode sofrer na escola, mas desenhar muito bem ou tocar piano de ouvido, se essa for a sua paixão. Por isso, é fundamental que os pais descubram os talentos do filho e o estimulem a fazer aquilo de que realmente gosta. Para quem tem TDA, isso funciona como remédio.
Minha mãe creditava meu comportamento a falhas do método pelo qual fui alfabetizada. Meu pai achava que era preguiça. Mas eles eram compreensivos, porque sabiam que eu não fazia nada de propósito e era honesta, sincera, assumia os erros. Voei de bicicleta no carro do vizinho e meu pai pagou o conserto sem reclamar. Quando eles buscaram um diagnóstico para meu comportamento, os médicos disseram que eu tinha uma disritmia e me passaram um remédio. Devido à sonolência que causou, parei logo de tomar essa medicação. Ainda bem.
Na infância, desatenção e impulsividade são normais. Mas, em geral, estão relacionadas a algum motivo específico: porque a criança dormiu mal, está preocupada com alguma coisa, apaixonou-se pela primeira vez. O que acontece é que uma criança com TDA tem esse comportamento de maneira constante e mais intensa. Ela já nasce com o cérebro funcionando dessa maneira e, antes dos 7 anos, é possível perceber isso. Na infância, existe uma profusão de sintomas – e não são notas baixas. O lençol não para na cama porque a criança se mexe demais durante a noite. Também pode falar dormindo. Os professores mandam recados dizendo que aquele aluno é extremamente inteligente, mas isso não se traduz nas avaliações. A criança também é excluída das brincadeiras na escola, porque tem dificuldade de esperar a vez nos jogos em grupo e manter a atenção nas tarefas. Olhar a agenda e os cadernos também ajuda muito: eles refletem a organização do pensamento e como a criança anota as observações que professores fazem durante as aulas. A condição fundamental para o diagnóstico de TDA é a hiperatividade mental. Ninguém adquire TDA ao longo da vida. Quem tem o transtorno já nasceu com esse tipo de funcionamento cerebral. É o histórico que leva ao diagnóstico preciso.
Nunca repeti ano. Conseguia passar nas provas finais ou na recuperação. Nessa hora, meus pais assumiam uma função, digamos, mais executiva. Eles me ajudavam a me organizar, e aí eu estudava como louca. Quando existe planejamento, vai tudo bem com a pessoa que tem TDA.
A primeira coisa é ver o grau de sofrimento dessa criança, o nível de desconforto. É preciso ir à escola conversar com professores, ouvir a babá. A partir daí, dar oportunidade à própria criança para que ajude no tratamento, participe. Tenho um paciente que enlouquecia a família. Depois de usar medicação por dois anos e ter uma melhora estupenda, ele disse: "Já tenho noção de como é meu cérebro funcionando da maneira que tem de ser e queria parar de tomar o remédio, tentar do meu jeitinho". Ele ganhou uma percepção de seu comportamento. Outra coisa que os pais devem entender é que ser justo em questão educacional não é tratar os filhos todos da mesma maneira. Eles têm de ver o que cada um precisa. No caso do TDA, é fundamental dar ênfase à disciplina. Inclusive com a mesada. Como ele tende a gastar tudo de uma vez, o dinheiro tem de ser liberado aos poucos, para criar um limite e cumpri-lo. Com meus pacientes, por exemplo, costumo assinar um contrato toda vez que quero alguma coisa. Sempre funciona.
Sim, e principalmente as crianças ficam muito aliviadas. Outro dia atendi um paciente que batia a cabeça na parede. A mãe pensou que o filho estivesse louco. E eu disse a ele: "É para tentar parar o excesso de pensamento, né? A cabeça pesa mesmo, mas não é assim que vai melhorar". Ele ficou impressionado porque eu entendia exatamente o que ele estava sentindo. No livro, publiquei experiências minhas com nomes trocados. Como as da estudante de fonoaudiologia que achava que tinha alguma falha de caráter porque se distraía nas aulas, pegava cadernos emprestados com amigas, tirava notas boas e se achava uma fraude.
Antes, só existia o metilfenidato (a Ritalina). Mas 15% dos pacientes não respondem bem a ele. É uma substância que surte efeito quando a desorganização e a falta de foco são os fatores que mais atrapalham a vida. Ao longo desta década, a bupropiona, substância usada no tratamento para parar de fumar, mostrou-se muito eficiente também para TDA. A atomoxetina, um tipo de antidepressivo, também passou a ser usada – principalmente nos casos em que depressão e ansiedade se manifestam junto. Costumo dizer que a melhor medicação é a eficaz com a menor dose. Mesmo no tratamento de adultos, começo com dose de criança. E avalio o tratamento complementar necessário. A terapia cognitivo-comportamental tem-se mostrado muito eficaz.
Sim. Não se deve prescrever remédio de TDA em um momento de desatenção ou para aumentar a concentração no ano de vestibular, por exemplo. O excesso de informação pode levar o cérebro à exaustão, e a pessoa fica sujeita a distrações, falhas de memória. Mas isso é fruto de uma sobrecarga circunstancial. Quando acaba, os sintomas desaparecem. O que acontece é que, por desinformação, alguns pais solicitam a medicação antes de uma investigação cuidadosa sobre o funcionamento mental do filho. Em quem não tem TDA, o remédio cria um efeito falso, dá apenas vigor numa situação de cansaço extremo.
Não tem cura, mas há grandes chances de um final feliz. No momento em que você entende sua engrenagem, passa a dominá-la em vez de ser dominado por ela. Aí pode até levar vantagens. O excesso de pensamento – que causa exaustão, desorganização e esquecimento – também traz ideias. Existem ideias boas e más. O grande aliado de quem sofre de TDA é um caderninho. Em qualquer lugar, eu anoto pensamentos que já deram origem a capítulos de livros. Mesmo para ideias sem sentido, é vital ter organização. Dali pode sair algo realmente inovador.
Edição 2132 / 30 de setembro de 2009 Revista Veja
Entrevista Ana Beatriz Barbosa Silva
"Eu me achava uma burra"
A psiquiatra conta como sofreu com o déficit de atenção
na infância e como aprendeu a conviver com o transtorno
que atinge 6% da população em idade escolar
A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva, 43 anos, especializou-se em traduzir para uma linguagem acessível o universo misterioso dos transtornos mentais. Seu último livro, Mentes Perigosas, apresentou as muitas faces dos psicopatas e há 44 semanas faz parte da lista dos mais vendidos de VEJA. Ela já havia feito uma primeira incursão vitoriosa. Seu Mentes Inquietas, sobre o transtorno do déficit de atenção (TDA), vendeu 200 000 cópias e está sendo relançado. Nesta entrevista, Ana Beatriz fala de sua experiência, da importância do diagnóstico precoce e afirma que, embora não tenha cura, o transtorno permite uma vida normal e criativa.
Como a senhora descobriu que tem o transtorno do déficit de atenção?
Eu já estava no 3º ano da faculdade de medicina. Tinha 19 anos. Fui a um seminário em Chicago sobre depressão. Consegui errar tudo: cheguei um dia e uma hora atrasada para a primeira aula. Como não apareci, minha inscrição foi cancelada. A atendente da faculdade viu meu desespero e disse que eu poderia me transferir para outro curso, com início naquele dia. O professor era John Ratey, papa do déficit de atenção. Ele começou a detalhar o transtorno e pensei que estivesse falando sobre mim. Chegou a ser incômodo. Quando a aula acabou, fui atrás dele conversar sobre meu comportamento desde a infância. No dia seguinte fiz um teste que revelou que eu tinha TDA em grau grave. Ele então me disse: "Sobreviver, você já sobreviveu. Sabe se virar, frequenta uma boa faculdade. Mas você mata um leão por dia". Comecei então o tratamento.
Foi um divisor de águas. Senti-me como um míope que põe o primeiro par de óculos e percebe que o mundo é cheio de detalhes. Usei a medicação por cinco anos consecutivos. Hoje, quando escrevo um livro, volto a tomá-la no último mês. É a hora em que junto todas as informações e preciso ter mais senso crítico.
O que provoca o TDA?
A pessoa que tem o transtorno nasce com uma alteração no funcionamento do lobo frontal. Essa seção do cérebro é um maestro do comportamento humano, uma área em que se cruzam sistemas neurais ligados à razão. Entre outras ações, regula a velocidade e a quantidade de pensamentos. No TDA, esse filtro funciona com eficiência menor. O resultado é a hiperatividade mental e, consequentemente, a perda de foco, de objetividade. Quem nasce com TDA não tem problema de inteligência, mas de administrar o tempo, fixar a atenção, dar continuidade ao que inicia. O transtorno é muito mais comum do que se imaginava. Segundo a Associação de Psiquiatria Americana, 6% da população em idade escolar tem esse padrão de funcionamento mental nos Estados Unidos. No Brasil, as pesquisas apontam uma média próxima a essa.
O que provoca essa alteração do funcionamenO que provoca essa alteração do funcionamento do cérebro?
É um transtorno químico, causado pela baixa de dois neurotrasmissores: a dopamina e a noradrenalina. Essa alteração diminui a ação filtrante do lobo frontal. A genética já mostrou ter papel importante, mas fatores externos acabam interferindo na evolução do transtorno. Se não é cercada por uma organização mínima, a pessoa pode ter sérios prejuízos em sua qualidade de vida.
| "Quem tem TDA presta muita atenção naquilo que desperta seu real interesse. Por isso, é injusto falar de déficit de atenção. O que existe é uma atenção instável" |
Como o transtorno interferiu em sua trajetória pessoal?
Sempre achei que havia algo errado comigo. Na escola, tinha horror a ditado. Meu coração disparava: sabia que precisava prestar atenção ao que a professora dizia e, simultaneamente, observar se não estava cometendo erros ao escrever. Nessas horas, eu me sentia a criança mais burra da sala. Fora do colégio, também sofria. Uma vez meu pai, que é professor, corrigiu tanto meu diário que botei fogo nas páginas depois. Vivia com as pernas roxas de tanto cair e bater nos móveis. Meu armário era uma bagunça absurda. Tenho uma irmã cinco anos mais velha, centrada, organizada. Durante muito tempo, dei a ela parte da minha mesada para que arrumasse meu armário. Todas as vezes que minha mãe reclamava comigo, eu concordava, entendia que ela tinha razão. Mas eu não sabia como tudo isso acontecia. No início da adolescência, bateu uma vontade enorme de mudar. Eu era uma criança falante e me fechei. Fiquei retraída, quietinha, para não errar. Vivia no meu quarto, lendo. Isso foi dos 12 aos 16 anos. Na infância me chamavam de pinga-fogo, porque eu não parava. Na adolescência, quando me tranquei, virei Bia Sid (de sideral). Às vezes, achava que era burra. Por outro lado, sabia que tinha conhecimento e imaginação. Acabava o dia com dor de cabeça de tanto pensar. Era uma angústia.
Mas a senhora hoje é uma psiquiatra bem-sucedida. Como conseguiu isso?
O diagnóstico foi libertador. Passei a me observar. Com a medicação, comecei a fazer mais rápido o que antes demandava muito esforço. Foquei na psiquiatria. No meu trabalho, nada me escapa hoje. Tenho um filme na cabeça sobre cada paciente. Quem tem TDA presta uma atenção acima da média naquilo que desperta seu interesse verdadeiro. É o que a gente chama de hiperfoco. Por isso, acho injusto falar de déficit de atenção. O que existe é uma atenção instável.
O menino com TDA pode sofrer na escola, mas desenhar muito bem ou tocar piano de ouvido, se essa for a sua paixão. Por isso, é fundamental que os pais descubram os talentos do filho e o estimulem a fazer aquilo de que realmente gosta. Para quem tem TDA, isso funciona como remédio.
Como sua família enfrentou o problema?
Minha mãe creditava meu comportamento a falhas do método pelo qual fui alfabetizada. Meu pai achava que era preguiça. Mas eles eram compreensivos, porque sabiam que eu não fazia nada de propósito e era honesta, sincera, assumia os erros. Voei de bicicleta no carro do vizinho e meu pai pagou o conserto sem reclamar. Quando eles buscaram um diagnóstico para meu comportamento, os médicos disseram que eu tinha uma disritmia e me passaram um remédio. Devido à sonolência que causou, parei logo de tomar essa medicação. Ainda bem.
Por natureza, as crianças costumam ser agitadas e inquietas. Quando os pais devem desconfiar que o filho sofre do transtorno?
Na infância, desatenção e impulsividade são normais. Mas, em geral, estão relacionadas a algum motivo específico: porque a criança dormiu mal, está preocupada com alguma coisa, apaixonou-se pela primeira vez. O que acontece é que uma criança com TDA tem esse comportamento de maneira constante e mais intensa. Ela já nasce com o cérebro funcionando dessa maneira e, antes dos 7 anos, é possível perceber isso. Na infância, existe uma profusão de sintomas – e não são notas baixas. O lençol não para na cama porque a criança se mexe demais durante a noite. Também pode falar dormindo. Os professores mandam recados dizendo que aquele aluno é extremamente inteligente, mas isso não se traduz nas avaliações. A criança também é excluída das brincadeiras na escola, porque tem dificuldade de esperar a vez nos jogos em grupo e manter a atenção nas tarefas. Olhar a agenda e os cadernos também ajuda muito: eles refletem a organização do pensamento e como a criança anota as observações que professores fazem durante as aulas. A condição fundamental para o diagnóstico de TDA é a hiperatividade mental. Ninguém adquire TDA ao longo da vida. Quem tem o transtorno já nasceu com esse tipo de funcionamento cerebral. É o histórico que leva ao diagnóstico preciso.
| "Quando tive o diagnóstico e comecei o tratamento, eu me senti como um míope que põe o primeiro par de óculos e percebe que o mundo é cheio de detalhes" |
Como foi sua vida escolar?
Nunca repeti ano. Conseguia passar nas provas finais ou na recuperação. Nessa hora, meus pais assumiam uma função, digamos, mais executiva. Eles me ajudavam a me organizar, e aí eu estudava como louca. Quando existe planejamento, vai tudo bem com a pessoa que tem TDA.
O que a senhora aconselha a quem descobre que o filho tem TDA?
A primeira coisa é ver o grau de sofrimento dessa criança, o nível de desconforto. É preciso ir à escola conversar com professores, ouvir a babá. A partir daí, dar oportunidade à própria criança para que ajude no tratamento, participe. Tenho um paciente que enlouquecia a família. Depois de usar medicação por dois anos e ter uma melhora estupenda, ele disse: "Já tenho noção de como é meu cérebro funcionando da maneira que tem de ser e queria parar de tomar o remédio, tentar do meu jeitinho". Ele ganhou uma percepção de seu comportamento. Outra coisa que os pais devem entender é que ser justo em questão educacional não é tratar os filhos todos da mesma maneira. Eles têm de ver o que cada um precisa. No caso do TDA, é fundamental dar ênfase à disciplina. Inclusive com a mesada. Como ele tende a gastar tudo de uma vez, o dinheiro tem de ser liberado aos poucos, para criar um limite e cumpri-lo. Com meus pacientes, por exemplo, costumo assinar um contrato toda vez que quero alguma coisa. Sempre funciona.
A senhora conta a seus pacientes no consultório que tem TDA?
Sim, e principalmente as crianças ficam muito aliviadas. Outro dia atendi um paciente que batia a cabeça na parede. A mãe pensou que o filho estivesse louco. E eu disse a ele: "É para tentar parar o excesso de pensamento, né? A cabeça pesa mesmo, mas não é assim que vai melhorar". Ele ficou impressionado porque eu entendia exatamente o que ele estava sentindo. No livro, publiquei experiências minhas com nomes trocados. Como as da estudante de fonoaudiologia que achava que tinha alguma falha de caráter porque se distraía nas aulas, pegava cadernos emprestados com amigas, tirava notas boas e se achava uma fraude.
Quais são as tendências mais modernas no tratamento do transtorno?
Antes, só existia o metilfenidato (a Ritalina). Mas 15% dos pacientes não respondem bem a ele. É uma substância que surte efeito quando a desorganização e a falta de foco são os fatores que mais atrapalham a vida. Ao longo desta década, a bupropiona, substância usada no tratamento para parar de fumar, mostrou-se muito eficiente também para TDA. A atomoxetina, um tipo de antidepressivo, também passou a ser usada – principalmente nos casos em que depressão e ansiedade se manifestam junto. Costumo dizer que a melhor medicação é a eficaz com a menor dose. Mesmo no tratamento de adultos, começo com dose de criança. E avalio o tratamento complementar necessário. A terapia cognitivo-comportamental tem-se mostrado muito eficaz.
Existe prescrição exagerada de medicamentos hoje?
Sim. Não se deve prescrever remédio de TDA em um momento de desatenção ou para aumentar a concentração no ano de vestibular, por exemplo. O excesso de informação pode levar o cérebro à exaustão, e a pessoa fica sujeita a distrações, falhas de memória. Mas isso é fruto de uma sobrecarga circunstancial. Quando acaba, os sintomas desaparecem. O que acontece é que, por desinformação, alguns pais solicitam a medicação antes de uma investigação cuidadosa sobre o funcionamento mental do filho. Em quem não tem TDA, o remédio cria um efeito falso, dá apenas vigor numa situação de cansaço extremo.
TDA tem cura?
Não tem cura, mas há grandes chances de um final feliz. No momento em que você entende sua engrenagem, passa a dominá-la em vez de ser dominado por ela. Aí pode até levar vantagens. O excesso de pensamento – que causa exaustão, desorganização e esquecimento – também traz ideias. Existem ideias boas e más. O grande aliado de quem sofre de TDA é um caderninho. Em qualquer lugar, eu anoto pensamentos que já deram origem a capítulos de livros. Mesmo para ideias sem sentido, é vital ter organização. Dali pode sair algo realmente inovador.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
TOC, Tourette e nossas vidas...
"A convivência familiar de pessoas portadoras de Tourette e suas comorbidades, pode vir a ser bem complicada , principalmente com os mais íntimos e de maior convivência."
De todas as comorbidades da Tourette ,o transtorno obsessivo -compulsivo (TOC) envolve toda a família. Segundo Ana Beatriz Barbosa Silva , autora do livro Mentes e Manias, os familiares do TOC , geralmente passam a ter a vida limitada e transformada pelas manias do portador. E ainda acrescenta que esse sofrimento é vivido sem nenhuma informação especializada , o que aumenta a dimensão do problema.
È até normal, nós familiares de vítimas de problemas neuro psiquiátricos, tentarmos ajudar para aliviar os sintomas, evitando tudo que possa aumentar ou levar a uma crise, passamos muito tempo evitando palavras ou atitudes.
Mas e como a família reage?
Nem sempre ajudando, às vezes estamos cansados , irritados ou envolvidos em outros problemas e não conseguimos nesse momento auxiliar o afetado.
Segundo a Dra. Ana Beatriz , a instabilidade emocional da família aumenta o comportamento obsessivo -compulsivo.
Pelo que tenho estudado e lido sobre o assunto , são considerados leves por mim, os Tocs do meu filho, mas não menos prejudicial ou de pouco impacto na família, não é isso. O Toc dele estava relacionado a pescar, desde que abria os olhos a hora de deitar . Ele sofria com essa história . Foi uma época muito difícil para nós familiares e principalmente para ele.
Não sabíamos como agir. Primeiro impacto é realizar o ato de pescar para diminuir a ansiedade. Mas não diminui, o sentimento de realização é instantâneo , assim que acaba já está querendo outra pescaria.
E com o passar dos dias vamos ficando exaustos e tudo que menos queremos é que alguém fale a palavra peixe. Realmente isso desgasta, e quanto mais nos irritávamos ou tentávamos mudar o foco, mas o desejo aumentava. Realmente os nossos sentimentos ficam misturados: raiva, pena, impotência, medo.
Não foi por falta de procurarmos ajuda que demoramos a entender esse processo, é que não foi nos dito claramente : é TOC. Então o nível do desejo de pescar e comprar tênis foi aumentando e cada vez gerando um estresse maior. E quando negávamos , o que geralmente acontecia era o descontrole, e, o desespero tomava conta de todos.
Fico imaginando como meu filho sofria, com essa necessidade sem controle e sem entender porque sentia isso, ás vezes eu me perguntava se ele tinha noção do quanto fica ansioso, do quanto esses pensamentos atrapalhavam sua vida. Até que um dia eu tive a resposta , ele mesmo quem me fez entender seu sofrimento e sua noção do que acontecia.
Estávamos na sua médica e ele disse: prefiro todos os movimentos, mas não quero esses pensamentos. Neste momento compreendi que ele sofria e como sofria.
Mesmo lendo tudo que encontro sobre TOC, ainda não estou satisfeita, geralmente se fala do que mais acontece,: colecionar , não se desfazer de nada, lavar as mãos , limpeza , organização e nada disso se encaixa com meu filho. Que é um a obsessão é, isso está claro pra mim, mas não vi em nenhum livro falando sobre este TOC.
Como o medicamento é importante , já faz alguns meses que estes pensamentos não aparecem.
O que importa esclarecer aqui e que está bem ressaltado no livro Mentes e Manias , é que mesmo os mais diferentes rituais e obsessões não devem ser taxados como pensamentos loucos ou perigosos.( O que tendemos a fazer) e que não é uma opção, fazer ou não, ter ou não o TOC.
A doutora Ana Beatriz ainda nos deixa um sábio ditado americano: “Antes de julgar alguém , calce o sapato dessa pessoa, caminhe por uma milha, pare, reflita e depois faça seu julgamento”
Baseado no livro: Mentes e Manias de Ana Beatriz Barbosa Silva
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Mãe e mulher: que cobrança é essa?
Nasci mulher!
E mesmo com a evolução dos tempos, da virada do mundo na luta pelos direitos da mulher, não consegui separar o fato de ser mãe e ser mulher ao mesmo tempo.
Talvez, o fato de um dos meus filhos ter a Tourette seja mais difícil. È , talvez!
Mas, não consigo essa separação, que nos é imposta.
Será que sou culpada?
Meu raciocínio não acompanha a lógica de alguns, mas tão pouco consegue criticá-los. Apenas penso assim, sou um ser único, trabalho o lado mãe e mulher junto. Não vejo erro em lutar pelos meus filhos, dedicar um bom tempo ao bem-estar deles , amá-los de maneira incondicional. Viver seus medos , seus anseios, seus sonhos. Corrigir seus erros, acertar seus passos, mostrar-lhes o caminho e isso tudo, sem viver suas vidas.
Se errar eu levanto, se se ferir, cubro suas feridas, não deixo de está perto, porém, dou-lhes a liberdade de escolha. Não em tudo, tem razão. Porque, estudo não tem escolha, obrigação não tem escolha, respeito não tem escolha.
E o que é escolha então?
Tudo, fora os 3.Gasto um bom tempo com isso.
E aí, onde está a mulher, tão cobrada, o ser tão evoluído, acima do mãe, que a gente ouve falar?
Não conheço!
Conheço sim, aquela que ama, que adora compartilhar a vida , que adora livros , que adora viver, que faz amor e não sexo, que grita , que se aborrece,que chora, que vive intensamente , que gosta da sua casa, mas que é desarrumada e bagunceira e que não sabe aonde bota nada, mas que como por mágica
levanta , arruma tudo e torna a desarrumar.
Que mulher é essa?
Não combina com a multifuncional tão falada e aplaudida pela mídia. E agora? O que eu faço?
Mais uma vez , não sei responder.Sei apenas que faço pilates, trabalho num blog, visto a camisa da Tourette, visto a roupa de casa, troco pela de sair, entro no meu quarto, amo, sou feliz, sou tudo.
E se isso não for suficiente, ou se isso não for funcional ou multi...
Não sei se existe esse ser evoluído, apenas eu não cheguei lá.
Daniela.
E mesmo com a evolução dos tempos, da virada do mundo na luta pelos direitos da mulher, não consegui separar o fato de ser mãe e ser mulher ao mesmo tempo.
Talvez, o fato de um dos meus filhos ter a Tourette seja mais difícil. È , talvez!
Mas, não consigo essa separação, que nos é imposta.
Será que sou culpada?
Meu raciocínio não acompanha a lógica de alguns, mas tão pouco consegue criticá-los. Apenas penso assim, sou um ser único, trabalho o lado mãe e mulher junto. Não vejo erro em lutar pelos meus filhos, dedicar um bom tempo ao bem-estar deles , amá-los de maneira incondicional. Viver seus medos , seus anseios, seus sonhos. Corrigir seus erros, acertar seus passos, mostrar-lhes o caminho e isso tudo, sem viver suas vidas.
Se errar eu levanto, se se ferir, cubro suas feridas, não deixo de está perto, porém, dou-lhes a liberdade de escolha. Não em tudo, tem razão. Porque, estudo não tem escolha, obrigação não tem escolha, respeito não tem escolha.
E o que é escolha então?
Tudo, fora os 3.Gasto um bom tempo com isso.
E aí, onde está a mulher, tão cobrada, o ser tão evoluído, acima do mãe, que a gente ouve falar?
Não conheço!
Conheço sim, aquela que ama, que adora compartilhar a vida , que adora livros , que adora viver, que faz amor e não sexo, que grita , que se aborrece,que chora, que vive intensamente , que gosta da sua casa, mas que é desarrumada e bagunceira e que não sabe aonde bota nada, mas que como por mágica
levanta , arruma tudo e torna a desarrumar.
Que mulher é essa?
Não combina com a multifuncional tão falada e aplaudida pela mídia. E agora? O que eu faço?
Mais uma vez , não sei responder.Sei apenas que faço pilates, trabalho num blog, visto a camisa da Tourette, visto a roupa de casa, troco pela de sair, entro no meu quarto, amo, sou feliz, sou tudo.
E se isso não for suficiente, ou se isso não for funcional ou multi...
Não sei se existe esse ser evoluído, apenas eu não cheguei lá.
Daniela.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
FENOMENOLOGIA DA TOURETTE
Texto retirado da Associação de Pacientes com Síndrome de Tourette e Transtornos Associados de Andaluz no Congresso Nacional, reconhecido como interesse médico científico
Fenomenologia
Fenomenologia
Um tique é um movimento ou vocalização ,ocorre de repente, de forma recorrente, não rítmico e sempre de forma parecida, semelhante.
Embora tiques são involuntários, pode ser suprimido temporariamente de forma consciente, e às vezes o controle dos tiques em crianças na escola é depois aliviado a tensão quando estão sozinhos em casa.
Todos os tiques pioram durante épocas de estresse, ansiedade, excitação, tédio ou fadiga, e desaparecem em freqüência e gravidade quando a criança ou adolescente concentra-se em algo que gosta, ou está relaxado, ou durante o sono.
Algumas crianças podem ter tiques de curto ou isoladas, ou fazer movimentos (gestos, repetidos) , sem implicar que eles têm um tique, porque eles raramente duram mais de duas semanas.
Tiques motores podem afetar qualquer grupo muscular, mas normalmente começando com o rosto e músculos do pescoço.Tiques motores simples afetam apenas um único grupo muscular, enquanto tiques motores complexo que envolve vários grupos musculares.
Às vezes, eles fazem movimentos significativos ou gestos obscenos mãos ou dedos (copropaxia).
Os tiques vocais podem ser muito variados, a partir de sons simples: limpando a garganta ou nariz, tossir repetidamente, ou dizer sílabas, palavras e até frases (tiques vocais complexo)
Fenômeno que tem tiques vocais que são insultos ou linguagem grosseira é chamado coprolalia. Às vezes as crianças repetem suas palavras uma e outra vez (Palilalia) ou repetindo as palavras dos outros (ecolalia).
Tourette se inicia entre 2 e 10 anos, geralmente com um tiques motores simples, e então eles vão surgindo mais tiques. Rumo ao 11 anos parecem tiques vocais ou fônico e comportamento obsessivo pode ter compulsivo (pensamentos repetidos e ações). Tiques vocais começam como sílabas isoladas e progredir para exclamações de comprimento.
Até 25-50% de crianças com Tourette têm sintomas de transtorno de hiperatividade, impulsividade e
transtorno de déficit de atenção.
Em relação ao curso da doença, tiques aparecem em crianças (entre 5 e 10 anos) e raramente se inicia após a puberdade. Em 03/02 sintomas dos pacientes desaparecem na adolescência, mas pode persistir em uma forma leve de anos. No restante dos pacientes a doença de Tourette ao longo da vida, embora haja oscilações na freqüência e intensidade,com declínios que coincidem com períodos de maior estresse ou ansiedade e outras vezes, com melhora acentuada.
Em formas auto-imunes pior depois Infecções estreptocócicas (faringite e resfriados) durante o outono e inverno.
Tiques deve ser diferenciado de outros distúrbios de movimento, tais como:
1) acatisia sentido (interior de desconforto e necessidade de movimento)
2) atetose (movimentos lentos geralmente rastejando sobre mãos e dedos) ballism,
(Movimentos bruscos ou tremores involuntários dos membros),
3) coréia irregular (espasmos da face ou membros)
4) discinesia (coreiformes movimento ou distônica estereotipado e não excluído
5) distonia (contração tônica sustentada que produz posturas anormais),
6)mioclonia espasmo (clônicos em membros breve)
7) os movimentos durante o sono, ou
8) estereotipias (repetitivas sem sentido como aqueles vistos em crianças com autismo).
*Também devem diferenciar comportamentos ou atos obsessivo-compulsivo visto no TOC.
*Insultos deve ser diferenciada de crianças com distúrbios de oposição desafiante ou conduta, ou de humor.
*Há também marcada irritabilidade, depressão ou euforia.
A avaliação da criança deve ser feita por um especialista neste campo como :pediatra, neuropediatra, neurologista e o psiquiatra infantil, para descartar :
- distúrbios como déficit de atenção e hiperatividade, transtorno obsessivo- compulsivo e distúrbios de aprendizagem.
Ele também deve examinar para descartar outros distúrbios neurológicos do movimento, e por vezes realiza un electroencefalograma (EEG) para descartar mioclônica e outros.
Na busca de avaliação psiquiátrica como outros distúrbios como trastorno por déficit ansiedade, humor e problemas de aprendizagem, bem como transtorno de déficit de de atenção e hiperatividade, que são frequentemente comorbidade com tiques motores e vocais.
Texto em espanhol:
Texto extraído de la Asociación de Pacientes con Síndrome de Tourette y Trastornos Asociados del Andaluz en el Congreso, reconocida como de interés científico médico
Texto em espanhol:
Texto extraído de la Asociación de Pacientes con Síndrome de Tourette y Trastornos Asociados del Andaluz en el Congreso, reconocida como de interés científico médico
Fenomenología
Un tic es un movimiento o vocalización se produce de repente, en un siempre recurrentes, no rítmicos y de una manera similar, de forma similar.
A pesar de los tics son involuntarios, se puede suprimir temporalmente la conciencia, ya veces controlar los tics en los niños en la escuela quedará liberado de la tensión cuando están solos en casa.
Todos los tics empeoran durante momentos de estrés, ansiedad, excitación, aburrimiento o fatiga, y desaparecen en frecuencia y gravedad cuando el niño o adolescente se centra en algo que te gusta, o se relaja, o durante el sueño.
Algunos niños pueden tener a corto tics o aislados, o hacer movimientos (gestos, que se repite), sin que esto signifique una garrapata, ya que rara vez duran más de dos semanas.
Los tics pueden afectar a cualquier grupo muscular, pero que suele comenzar con los músculos de la cara y pescoço.Tiques sencillo motor sólo afectan a un solo grupo muscular, mientras que los tics motores complejos involucran varios grupos musculares.
A veces, hacer movimientos significativos o gestos manos o los dedos (copropaxia).
Los tics vocales pueden ser muy variados, desde los sonidos simples: limpieza de la garganta o la nariz, toser repetidamente, o decir sílabas, palabras e incluso frases (tics vocales complejos)
Fenómeno que tiene tics vocales que son un lenguaje insultante u ordinario se denomina coprolalia . A veces los niños repiten sus palabras una y otra vez ( palilalia a) o repetir las palabras de otros ( ecolalia).
Tourette comienza entre 2 y 10 años , por lo general con un tics motores simples, a continuación, se presentan más tics. Hacia los 11 años parecen tics fónicos o vocales y el trastorno obsesivo compulsivo que pueden (pensamientos repetitivos y acciones). Los tics vocales empiezan como sílabas aisladas y el progreso de los vítores de largo.
Hasta el 25-50% de los niños con el síndrome de Tourette presentan síntomas de hiperactividad, impulsividad y trastorno por déficit de atención.
En cuanto a la evolución de la enfermedad, los tics aparecen en los niños (entre 5 y 10 años) y rara vez se inicia después de la pubertad. En los pacientes 03.02 síntomas desaparecen en la adolescencia, pero puede persistir en una forma leve de año. En el resto de los pacientes de la enfermedad sobre la vida de Tourette, aunque hay oscilaciones en la frecuencia e intensidad, con caídas que coinciden con períodos de mayor estrés o ansiedad y otras veces con una marcada mejoría.
En las formas autoinmunes empeora después de una infección estreptocócica (faringitis o resfriados) durante el otoño y el invierno.
Los tics deben diferenciarse de otros trastornos del movimiento, tales como:
1) el significado acatisia (malestar interno y la necesidad de moverse)
2) atetosis (movimientos lentos por lo general se arrastra en las manos y los dedos) balismo,
(Agitación involuntaria o golpes en los movimientos de las extremidades),
3) irregular corea (contracciones de la cara o las extremidades)
4) discinesia (movimientos distónicos o coreicos estereotipadas y eliminados no
5) distonía (contracción tónica sostenida que produce posturas anormales),
6) mioclono espasmo (miembro clónicas en breve)
7) los movimientos durante el sueño, o
8) estereotipias (repetición sin sentido como las observadas en niños con autismo).
* También hay que diferenciar las conductas obsesivo-compulsivo o actos que han visto en el TOC.
Insultos * deben ser diferenciados de los niños con trastorno de oposición desafiante o de conducta o estado de ánimo.
* También hay marcada irritabilidad, depresión o euforia.
La evaluación del niño debe ser hecha por un experto en el campo como un pediatra, un neurólogo pediátrico, un psiquiatra infantil y un neurólogo para descartar:
- Los trastornos como el trastorno de hiperactividad por déficit de atención, trastorno obsesivo-compulsivo y trastornos del aprendizaje.
También se debe examinar para descartar otros trastornos neurológicos del movimiento, y en ocasiones lleva a cabo sin electroencefalograma (EEG) para descartar mioclónicas y otros.
En la búsqueda de una evaluación psiquiátrica como otros trastornos como el trastorno de ansiedad debido al déficit, el estado de ánimo y problemas de aprendizaje, así como el trastorno por déficit de atención e hiperactividad, que suelen ser comórbidos con tics motores y vocales.
domingo, 30 de outubro de 2011
Dividindo experiências e lembranças: resolvi postar esta carta que uma amiga , Carla, que eu amo e admiro me escreveu, para mostrar a importância da participação dos amigos na nossavidacomtourette, não sei o que eu faria sem eles , sem o apoio, e principalmente sem o carinho de vocês amigos. Comparo os amigos a uma associação, eles estão sempre abertos a ajudar, acalmar , aliviar a dor, nos fortalecer... Então , uma lição importante é nunca se esconda nas dificuldades da Tourette, peça ajuda, não sinta vergonha de abrir seu coração, de dizer preciso de você, as pessoas podem ser orientadas para a ajuda, facilita a vida e o caminho a ser percorrido . Tenham certeza ,se eu falhar, minha família( incluindo a todos) e meus amigos treinados , assumem enquanto eu estiver impossibilitada.
A vida sempre acontece para mim de uma maneira especial.
A vida sempre acontece para mim de uma maneira especial.
Se eu me perguntar qual a 1ª lembrança que tenho de Daniela, será a imagem dela segurando Daniel, com uns 2 meses, sei lá, atravessando a rua com o Felipe. Estava chuviscando e no nosso antigo prédio estava sendo feito um serviço que inviabilizava o estacionamento no pilotis. Lembro-me bem disso porque Felipe era o síndico e eu tinha reclamado que não tinha onde estacionar e meus filhos pegariam chuva ao chegar em casa.
A visão dela atravessando a rua tranqüila com o bebê no colo me fez pensar como ela conseguia.
Naquele momento eu não sabia o que ela passava e nem imaginava o que ela era capaz de atravessar com e pelos seus filhos.
Sou mãe e como tal tenho pânico em pensar que algo ruim venha acontecer com minha prole. O diagnóstico inicial do Léo era um nome estranho que eu insistia em não aprender, defesa tolas que a cabeça da gente cria como se isso afastasse a realidade.
Comecei a me aproximar de Daniela e tentei entender o que se passava, queria, de algum modo ser útil. É muito difícil ver os outros passarem por algo que você não compreende. Há um sentimento de impotência e no fundo um receio de ser demais ou de penetrar num universo proibido.
Daniela não é assim. Ela não tem vergonha. Ela não tem meias palavras. Por trás de uma falsa aparência de fragilidade, existe uma leoa. E uma leoa que morde, pode até sofrer em morder, mas ela morderá, se necessário for.
Acompanhar a angústia de buscar uma cura, uma luz é complicado de explicar. E lá tava ele, lindo, meigo, 4/5 anos, inocente. Eu me perguntava como havia síndromes assim, mas aí vem a leoa de novo e afugenta esses pensamentos de minha cabeça. Agora entendo o que ela me mostrou este tempo todo. A gente tem que se aceitar para exigir aceitação, a gente tem que se adaptar às nossas realidades e lutar para enfrentar todos os desafios. Repentinamente me vi uma discípula desta leoa e de seu filhote. Eles têm seus embates, tropeços, podem ter decepções, quem não as tem? Mas eles seguem. Quando um desanima, o outro anima e nem percebe que faz isso. É uma dinâmica interessante e verdadeira.
Vejo hoje o meu lindo crescido. Tenho para ele os mesmos receios que tenho para os meus filhos. Ele é inteligente, às vezes até demais para o meu gosto, capta demais o que falamos, kkkkkkk. E o que mais admiro é sua maturidade para enfrentar esta síndrome, afinal o ser humano é altamente preconceituoso, altamente crítico, chegando até níveis absurdos de segregação social. E este menino segue, mesmo em momentos de crise.
É por isso que sei que o “meu” lindão triunfará e mostrará a esta sociedade hipócrita a necessidade de se respeitar mais as pessoas.
Espero que cada vez mais todos se unam para entender tudo o que se passa em nossas mentes e nossos corpos. Que a ciência avance com ética e que a religiosidade ilumine o coração de todos. No final somos um só!
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