segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O blog vidacomtourette agora com link na ASTOC

Queria compartilhar com meus leitores-amigos outra novidade maravilhosa.
Agora vidacomtourette tem um link permanente na ASTOC ( Associação Brasileira De Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo) 
"A ASTOC é uma entidade sem fins lucrativos que busca dar apoio aos familiares e portadores do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), caracterizado por obsessões e compulsões, e da Síndrome de Tourette (ST), caracterizada por tiques vocais e motores.
Um de seus vários objetivos é informar adequadamente portadores, familiares e o público leigo em geral a respeito desses transtornos, seja por meio de orientações individuais ou em grupo, elaboração de material educativo, informações via internet (site www.astoc.org.br) e organização de reuniões de apoio e eventos educativos, incluindo temas a respeito das características clínicas e tratamentos indicados e disponíveis para esses problemas médicos.
Além disso, a ASTOC atua junto a profissionais da área de saúde organizando eventos científicos nacionais e internacionais com o intuito de facilitar o acesso a novos conhecimentos e, por meio da criação de novos fundos, incentivar a pesquisa em áreas prioritárias, a fim de trazer maior alívio aos portadores desses transtornos."

 E isso está sendo motivo de muita felicidade, porque nos dá a certeza que estamos no caminho certo, um caminho trilhado com muita dedicação e amor. Dedicação por pesquisas incessantes e o amor é pelos nossos filhos companheiros da Tourette. 

A ASTOC foi meu ponto de partida,mesmo de longe , foi meu braço forte , por e mail e por telefone (obrigada a Edi que sempre foi muito gentil), A ASTOC é um marco e é uma referência .

Dois blogs foram incluidos : vidacomtourette e clicnervoso( parabéns Auber)!!!!!1

Daniela Torres


domingo, 11 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

O NINDS financia investigações sobre a Síndrome de Tourette em seus próprios laboratórios

                 
 O NINDS financia  investigações sobre a Síndrome de Tourette em seus próprios laboratórios .

Sempre gosto de compartilhar as notícias sobre pesquisas relacionadas com a Síndrome de Tourette. Essas notícias alimentam meu cérebro, me faz logo pensar em medicamentos próprios para Tourette, métodos novos para controle dos tiques. É verdade , minha imaginação é fértil, mas que traz esperança , isso não podemos negar.


Fonte :http://espanol.ninds.nih.gov





Estudos genéticos:

Atualmente, os pesquisadores financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde estão realizando uma série de grandes pesquisas genéticas.

Rápidos avanços na tecnologia de identificação de genes permitem uma abrangente revisão completa do genoma.

A descoberta de um ou mais genes na síndrome de Tourette seria um avanço para a compreensão do fator de risco genético.

Além disso, um melhor entendimento da genética da síndrome de Tourette será mais eficaz para o diagnóstico clínico, melhorará o aconselhamento genético, irá esclarecer a fisiopatologia e indicar novos caminhos para alcançar terapias mais eficazes.

Os estudos de neuroimagem latente.

Com os avanços dos últimos cinco anos na tecnologia de imagem e do número crescente de investigadores qualificados, tem tido um aumento da utilização de técnicas novas e poderosas para identificar regiões de circuitos do cérebro, e fatores neuroquímicos de importância para a síndrome de Tourette e seus distúrbios relacionados.

A neuropatologia.

Nos últimos cinco anos tem havido um aumento no número e na qualidade de cérebros com síndrome de Tourette, os cérebros dos pacientes após a morte, foram doados e estão disponíveis para pesquisa.

Este aumento adicionado aos avanços técnicos em neuropatologia resultou em descobertas importantes nos estudos iniciais de neuroimagem e modelos animais de síndrome de Tourette.

Os ensaios clínicos.

Foram recentemente concluídos ou estão sendo realizadas um número grande de ensaios clínicos sobre a síndrome de Tourette.

Estas incluem pesquisas sobre tratamento com estimulantes em defícit de atenção e hiperatividade associada com síndrome de Tourette, bem como tratamentos para modificar o comportamento para reduzir a gravidade dos tiques em crianças e adultos.

Pequenos estudos com novas abordagens ao tratamento, tais como as drogas usando como agonistas da dopamina e GABA também parecem ser promissores.

A epidemiologia e ciências clínicas.

Cuidadosos estudos epidemiológicos sugerem agora que a incidência da síndrome de Tourette é muito maior que o estimado anteriormente, com uma ampla gama de gravidade clínica.

Além disso, a pesquisa clínica está dando novos resultados com relação a síndrome de Tourette e as doenças que coexistem com ele.

Estes subtipos incluem:

  • estudos da síndrome de Tourette e transtorno obsessivo compulsivo, 
  • o exame da relação entre déficit de atenção
  • problemas de aprendizagem em crianças com síndrome de Tourette,
  • uma nova avaliação dos tiques sensoriais e
  • o papel dos ataques de raiva. 
  • Uma das áreas mais importantes da ciência relacionada com a síndrome de Tourette estuda a relação entre esta doença e a lesão autoimune do cérebro associada a infecção estreptocócica beta-hemolítica  grupo A, ou outras doenças infecciosas.Atualmente existem um grande número de estudos epidemiológicos e clínicos sobre este tema tão interessante.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Histórias de Todos Nós, hoje com Fernando Maia

Histórias de Todos Nós, hoje com Fernando Maia

Quando eu iniciei o blog, não imaginei que eu ganharia presentes tão especiais como eu tenho ganho, tem sido um bálsamo em nossas vidas com tourette.


Faz algum tempo , eu falei sobre os anjos que nos ajudaram e nos ajudam nessa caminhada, mas hoje eu queria dizer que Deus cobre nossas vidas de anjos. Anjos que abrem seu coração, que nos permitem compartilhar de suas vidas e assim nos ensinam a caminhar melhor, e anjos não tem idade!!!!


Obrigada Fernando por me ensinar muito, tenha certeza que aprendi bastante com você.




Fernando Maia mora em Fortaleza (18 anos)


Quando era criança eu tive os primeiros sintomas do ST e foi bem difícil. Porque no início nem eu, nem meus pais e ninguém da minha família entendia o que era aquilo .

Não sabíamos se aqueles movimentos que eu fazia (de piscar os olhos , revirar o pescoço) tinha cura, ou melhora, nem como fazia para parar. Para mim e meus pais eram apenas Tic Nervoso, pra gente tinha cura...

Na escola não foi muito difícil, eu procurava ser sempre amigo de todos, uma pessoa alegre, para que ninguém brincasse com minha cara, já que todos gostavam de mim, ninguém brincava com meus tics…

Na minha adolescência, eu comecei a ir ao médico psiquiatra e ela apenas passava remédios e mais remédios, que não curavam meus tics. Me deixava com sono , com o corpo mole.

Eu resolvi pesquisar sobre o que eu tinha por conta própria. Na internet, pelos sintomas, eu vi que o que eu tinha era Síndrome de Tourette, e troquei de médico, e ele me explicou melhor, que o que eu tinha, não tinha cura .

A partir daí, meu modo de lidar com a doença mudou. E eu comecei a me perguntar, perguntar a Deus como faria para conviver com uma doença que eu nunca iria me curar .

Então eu comecei a parar de me preocupar com a cura e me preocupar em conviver com a doença.

Eu passava nas ruas, via aquelas crianças sem ter o que comer, sem ter pernas para andar, pessoas sem ter visão, e o meu problema se tornava tão pequeno diante dessas pessoas.

Eu pergunto se alguma pessoa nesse mundo não tem problemas? Acho que a resposta é não. Mas Deus mandou seus filhos para aprenderem a ser felizes, por isso, temos problemas, que é para nos tornamos pessoas mais fortes.

Eu digo para os portadores de ST, é difícil, vai ser difícil, está sendo difícil para mim. Todo dia é uma nova luta, tem dias que não conseguimos dormir, tem dias que nosso pescoço dói, nossos olhos doem e o pior é que mesmo doendo não conseguimos parar de fazer, tem dias que choramos de dor.

Já bati em portas e armários. Uma dica para se ter cuidado em casa: não andem com facas apontas para frente, antenas levantadas, mesas com quina ou obstáculos no chão.

Nós portadores do ST não conseguiríamos nada se não fossem nossos pais, familiares, amigos... Eles são muito importantes por que nos dias que acordamos frágeis, que estamos triste, são eles que nos fortalecem... E não venham me dizer que não tem amigos, procurem fazer amigos, não é por que temos Tourette que vamos esperar que venham até nós, com pena, temos que correr atrás, fazer os outros felizes para que os outros ajudem e nos façam felizes.

Eu queria Agradecer a Daniela pela Iniciativa de criar um Blog sobre o ST, eu leio o blog todos os dias, não sou bom com as palavras, por isso demorei a vir aqui dá meu depoimento, mas a Daniela como todas as mães de filhos com ST são guerreiras, pois é, eu agradeço a minha mãe apesar da gente brigar bastante, eu agradeço, por que ela sempre esteve comigo me ajudando a conviver com minha doença. =DD

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Histórias de todos nós ,hoje com Lilly!!!!

Compartilhar experiências com Tourette é preciso, senti muita falta a quase oito anos atrás, de pessoas que pudessem me contar como era ter um filho com a síndrome, senti falta de conhecer pessoas portadoras para essa troca de experiência. Agora eu luto por isto e tenho amigos me ajudando.


Lilly é uma mãe-amiga de Nossa Vida Com Tourette, eu já apresentei Lilly aqui no blog, ela é uma mãe especial, daquelas que lutam , que corre atrás, que não desiste . Lilly tem três filhos, mora em Honduras e agora  mora também em meu coração!!!
Com a Tourette é assim o mundo não tem barreiras, ela não nos separa .Estamos juntas nessa caminhada. E isso é muito gratificante. Obrigada Lilly...



Sou mãe de Jorge Eduardo de 10 anos , diagnosticado faz quase 1 ano com Tourette.Mas para que pudessemos chegar a este diagnóstico, tivemos que passar aproximadamente três anos entre neurologistas, fonodiólogos , psicólogos e muitos outros médicos que não podiam nos dar um diagnóstico correto.

A medida que o tempo se passava , a incerteza e a tristeza cresciam , por não sabermos como ajudar nosso filho.

Durante esse tempo, percebiamos como lhe era difícil concentrar-se, começou a emitir sons,e realizar movimentos. Mas na realidade não foi nisso que focamos e sim na falta de concentração.

Lamentavelmente em nosso país ,HOnduras, a medicina não está tão avançada como em outros países e tivemos que procurar médicos nos Estados Unidos, encontramos anjos maravilhosos em forma de médicos e terapeutas que nos puderam dar um diagnóstico que se encaixava perfeitamente com os sintomas que apresentavam nosso filho.

Creio que como pais passamos por uma etapa de negação,no fundo não queria que meu filho tivesse algo, muito menos que tomasse medicamento.

Sempre fui contra medicá-lo , porque sentia que os médicos só passavam Ritalin por ser um remédio bem conhecido.Mas não davam nenhuma  explicação de como e nem em que casos era ideal dar-lhe.

Quando nos encontramos com este médico nos Estados Unidos , ele nos explicou em detalhes para que servia cada remédio, e em que situações e  para quem é conveniente. Que era de mais ajuda para nosso filho dar-lhe o medicamento , que não dar-lhe.

Tivemos que deixar de lado estigmas e preconceitos. Mas, para podermos dar-lhe os medicamentos, tería que ser com um médico de nosso país e assim que regressamos com o diagnóstico em mãos ,procuramos um médico em nosso país e mesmo assim não estávamos seguros de que encontraríamos.

Mas, graças a Deus encontramos uma médica a 4 horas de nossa cidade, que nos deu exatamente o mesmo diagnóstico que o médico nos Estados Unidos. Ela também nos explicou em detalhes o que tinha nosso filho e começou a medicá-lo. Primeiro com NEUPAX para ansiedade e depressão que apresentava naquele momento e aproximadamente dois meses depois Sttratera para o TDAH.

No princípio não quisemos dizer ao nosso filho nada, temendo uma rejeição, ao fazer isto,tudo se agravou principalmente na escola,sua professora não quis complicar-se e foi muito severa, ao ponto de prejudicar-lhe a auto-estima e causar-lhe isolamento.

Ao fazer isto, ela não só isolou O meu filho da classe, como também o diretor da escola passou a criticá-lo , chamando-o de malcriado.Chegamos a conclusão que só tínhamos duas opções apenas,ou discutíamos, ou apresentavamos o diagnóstico de Luis Eduardo. E ficamos com a segunda opção , por ser a que mais beneficiaria nosso filho.

Assim que tivemos uma reunião com o diretor sobre o que era Tourette , pedimos também uma reunião com os professores para apresentar-lhes o diagnóstico e graças a Deus estiveram todos bastantes receptivos, a maioria nunca tinha escutado falar, outros tinham ouvido falar mas nunca  tinham visto nada.

Mas acima de tudo puderam entender os movimentos e os barulhos.Muito mudou desde então, agora o dia-a-dia é mais fácil. Mas há ainda um longo caminho a percorrer.

A Tourette permanece ainda desconhecida de muitos e é esse o nosso foco agora, as pessoas compreendendo e conhecendo a Síndrome, começo a tornar o mundo para Jorge Eduardo muito mais fácil.

Este é apenas o início. Eo final? Esse só poderemos saber se agirmos com  diligência!!!!!


Lilly Meraz-Ferraz



Carta Original em espanhol:




Soy mama de Jorge Eduardo de 10 años diagnosticado hace ya casi 1 año con Tourette. Pero para que pudiéramos llegar a ese diagnostico tuvieron que pasar aproximadamente 3 años, entre neurólogos, terapistas de lenguaje, sicólogos y muchos otros médicos que no nos podían dar una diagnostico certero. A medida que pasaba el tiempo nuestra incertidumbre y tristeza crecía al no saber como ayudar a nuestro hijo. Durante este tiempo notábamos que se le hacia muy difícil concentrarse, empezó a emitir sonidos y movimientos. Pero en realidad no fue en eso en lo que nos enfocamos. Fue mas en su falta de concentración. Lastimosamente en nuestro país Honduras, la medicina no esta tan avanzada como en otros países y tuvimos que buscar médicos en Estados Unidos, encontrándonos con ángeles maravillosos en forma de médicos y terapistas, que nos pudieron dar un diagnostico que encajaba perfectamente con los síntomas que presentaba nuestro hijo. Creo que uno como padre pasa por una etapa de negación, en el fondo no quería que mi hijo tuviera algo y mucho menos que tomara medicamento. Siempre estuve en contra de medicarlo, porque sentía que los médicos a veces solo recetan Ritalin porque es la pastilla mas conocida. Pero no dan ninguna explicación sobre como y en que casos es ideal darla. Hasta que nos encontramos con este medico en Estados Unidos que nos explico en detalle lo que era cada pastilla y en que situaciones y para quien es conveniente. Que era de mas ayuda para nuestro hijo darle medicamento, que no darle. Tuvimos que dejar estigmas y prejuicios a un lado. Pero para poder darle medicamento, tenia que ser con un medico en mi país, así que regresamos con diagnostico en mano a buscar a un medico que no estábamos seguros de encontrar en nuestro país. Pero gracias a Dios encontramos una doctora a 4 horas de nuestra ciudad, que nos dio exactamente el mismo diagnostico que nos dio el medico en Estados Unidos. Ella también nos explico en detalle lo que tenia nuestro hijo y empezó a medicarlo primero con Neupax para la ansiedad y depresión que presentaba en ese momento y aproximadamente 2 meses después con Sttratera para el DDAH que presentaba también. Al principio no quisimos contarle a nadie, temiendo el rechazo, al hacer esto, empeoro todo sobre todo en la escuela, su maestra no quiso complicarse, siendo demasiado severa al punto de dañar su autoestima y aislarlo. Al ella hacer esto, no solo lo aisló el resto de la clase sino que también el director de la escuela lo empezó a tildar de malcriado y consentido. Llegamos a la conclusión que teníamos 2 opciones solamente; o peleábamos o dábamos a conocer su diagnostico. Escogimos lo segundo entendiendo que iba a ser de mas ayuda para Jorge Eduardo. Así que tuvimos una reunión con el director explicándole e informándole sobre lo que era el Tourette. Y pidiéndole una reunión con los maestros para también darles a conocer el diagnostico, gracias a Dios estuvo muy receptivo y acepto, llevándose a cabo la charla con sus maestros. La mayoría nunca habían escuchado sobre este síndrome, otros habían escuchado sobre el, pero nunca habían visto a nadie. Pero sobretodo pudieron entender el porque de los movimientos y sonidos. Mucho a cambiado desde entonces, ahora es mas fácil para el, el día a día. Pero falta mucho camino por recorrer todavía. Sigue siendo desconocido para muchos. Y es en eso en lo que nos queremos enfocar, para que este sea un mundo mas fácil para Jorge Eduardo, para que la gente sino entiende, al menos acepte. Esto es solo el principio. El final? Ese solo lo sabremos si actuamos con diligencia!





Lilly Meraz-Sierra






             

domingo, 4 de dezembro de 2011

 


A Associação Brasileira de Déficit de Atenção  disponibiliza em seu site das seguintes cartilhas:
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banner-cartilha-abdabanner_cartilha_direitos
banner_cartilha_profissionais_educacao
Tudo no site:
 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

TDHA: Mitos e Suas Consequencias

TDAH: Mitos e suas consequencias
Escrito por ABDA

Fonte:http://www.tdah.org.br

O Conhecimento acerca do TDAH tem sido cercado de idéias falsas, desprovidas de embasamento científico.

A Ciência, na sua busca pelo conhecimento da natureza, faz exigência de alguns critérios e usa de rigor para assegurar que um determinado acontecimento é uma verdade científica.

Importante lembrar que, diante de um fato isolado observado, não devemos apressadamente inferir que o fato antecedente gerou o fato posterior até que várias repetições do fenômeno em circunstâncias idênticas tenham se repetido, e que se possa estabelecer um vínculo lógico entre os acontecimentos em jogo.

Outra exigência da Ciência é que, sempre que possível, o fenômeno possa ser repetido empíricamente.

Vamos examinar em seguida algumas falsas crenças que as pessoas têm mantido em relação ao TDAH
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Mito 1

“O TDAH é um distúrbio fantasma, não existe. Na verdade criaram uma boa desculpa para pais e professores justificarem suas dificuldades de educar e de colocar limites a certas crianças mais difíceis que as outras.”

Resposta: O transtorno tem sido descrito tanto na cultura ocidental quanto na oriental. Os estudos com gêmeos e com crianças adotadas mostram que o papel predominante é do fator hereditário, cabendo ao ambiente uma participação menos expressiva na gênese do problema.


Mito 2

“As crianças com TDAH não são diferentes das demais. Nenhuma criança consegue ficar quieta ou prestar atenção por muito tempo seguido.”

Resposta: É verdade que as capacidades de controle da atividade motora, dos impulsos e da capacidade vão se desenvolvendo no período da infância.
A diferença entre uma criança com TDAH e outra talvez não possa ser bem percebida na hora do recreio da escola, quando é de se esperar que todas as crianças estejam correndo, pulando ou gritando. Porém, ao soar a campainha do fim do recreio, quando todos retornam à sala de aula, aí podemos observar que uma determinada criança sistematicamente não consegue parar, e nas aulas é frequentemente incapaz de sustentar a atenção, desviando a sua atenção para outros estímulos com maior facilidade do que as demais.
A diferença é quantitativa e não qualitativa. Quer dizer, tudo que uma criança com TDAH mostra no seu comportamento as demais também apresentam, só que naquela que tem TDAH isto aparece de uma forma mais intensa, freqeente e trazendo inúmeros prejuízos em todas as esferas de sua vida, escolar, familar e social.

Mito 3

“O TDAH é um transtorno muito mais freqüente no sexo masculino.”
Resposta: Durante muitos anos o componente da hiperatividade foi considerado o fato mais importante nesse transtorno e, como os meninos costumam apresentar mais hiperatividade que as meninas, acreditou-se que esse problema seria bem mais comum no sexo masculino.
Em 1980 (DSM-III) a denominação utilizada passou a ser Distúrbio do Déficit de Atenção. Com essa mudança as dificuldades de atenção destronaram a hiperatividade. O que ficou evidente é que nas meninas o tipo clínico que cursa sem hiperatividade (Tipo Predominantemente Desatento) é mais comum. Por essa razão, por ser menos ruidoso, esse tipo pode passar mais tempo sem ser identificado, ou ser facilmente confundido com outras condições, como depressão, deficiência intelectual leve, problemas psicológicos, etc.

Mito 4

“Os sintomas de TDAH geralmente desaparecem espontaneamente no final da adolescência.”
Resposta: Era exatamente isso que se pensava enquanto o fator hiperatividade era o mais importante no quadro clínico, pois existe uma tendência da hiperatividade declinar com o passar dos anos, ao passo que os sintomas de desatenção tendem a persistir.
Na verdade nem sempre a hiperatividade desaparece, ela apenas evolui de acordo com a idade. Por exemplo, uma criança hiperativa pula sem parar, trepa nos armários da casa, corre de um lado para outro. Quando essa mesma pessoa chega à idade adulta não é de se esperar que ela continue com o mesmo comportamento, mas podemos ver que ela está sempre andando de um lado para outro, faz tudo como se estivesse com muita pressa, não consegue deixar as mãos paradas, assume inúmeras tarefas simultaneamente, sem conseguir finalizar a maioria delas, tem dificuldade de planejamento, seguir metas e de se organizar de uma maneira geral.

Mito 5

“Se uma criança com TDAH consegue fazer com muita atenção uma atividade do seu interesse (videogame, por exemplo) e não consegue fazer os deveres escolares, a razão para isso parece ser uma falta de vontade ou motivação.”
Resposta: Na verdade o termo “déficit de atenção” não descreve fielmente o que ocorre e provavelmente será substituído no futuro, pois o que ocorre com essas pessoas é uma inconstância ou má-regulação da atenção. Existe um prejuízo na capacidade de a pessoa dirigir sua própria atenção, ou seja, uma dificuldade na atenção voluntária.
Muitas dizem que tentam se esforçam para ler, estudar, mas não conseguem. É claro que depois de algum tempo essas pessoas vão de antemão evitar ou desistir antes mesmo de iniciarem essas tarefas tão penosas para elas.

Na verdade a criança com TDAH costuma, em alguns casos, concentrar-se com maior facilidade em atividades mais dinâmicas, mais motivantes, lúdicas e pouco repetitivas. A isso costuma-se chamar de Hiperfoco.

Mito 6

“Os medicamentos usados no tratamento do TDAH provocam efeitos colaterais sérios e podem causar dependência.”
Resposta: A maioria dos especialistas com experiência no acompanhamento de pessoas com o transtorno, afirmam que os medicamentos utilizados para o tratamento do TDAH são eficazes e seguros. É evidente que qualquer medicamento pode produzir efeitos adversos, e os medicamentos para o TDAH não fogem a essa regra. Devem ser administrados por profissional com experiência no seu manejo.

Mito 7

“O uso de medicação para tratar o TDAH pode predispor a criança se tornar um dependente de outras drogas no futuro.”
Resposta: Estudos já foram realizados acompanhando as crianças que tinham feito uso de medicamentos para TDAH, e comparando esse primeiro grupo com outro grupo de crianças que, por qualquer razão, não tinham feito tratamento para TDAH. O resultado é que a ocorrência de abuso de drogas na juventude revelou-se maior ou idêntico no grupo não tratado para TDAH, o que mostra que o tratamento medicamentoso, na verdade, não é capaz de induzir ao abuso de drogas.

Mito 8
“Apresentar TDAH na infância traz poucas conseqüências para a vida da pessoa e por isso não se justifica um tratamento nessa idade.”
Resposta: Alguns casos de TDAH menos intensos, quando acompanhados de alto nível intelectual e ambiente familiar bem estruturado (fatores de resiliência ou proteção), podem passar pela vida sem que o transtorno cause grandes prejuízos na sua qualidade de vida.
Todavia, na maior parte dos casos, o TDAH compromete seguramente a qualidade de vida da pessoa, e sem dúvida, isto significa que ela seria capaz de desenvolver melhor o seu potencial se tivesse em tratamento para TDAH.
Prejuízos na auto estima, rendimento escolar e profissional abaixo da real capacidade, conflitos com colegas e cônjuges, maior comorbidade com outras doenças, como depressão, ansiedade, dentre outras, maior tendência maior a ter múltiplos casamentos, gestações indesejadas, abuso de álcool e drogas, são algumas das possíveis conseqüências que a falta do tratamento do TDAH traz para a vida das pessoas.
Sam Goldstein, experiente psicólogo norte-americano, afirma que “o risco de não tratar é certamente maior que o risco do tratamento”.

Mito 9
“TDAH e Hiperatividade são sinônimos. Todas as crianças com TDAH são hiperativas.”
Resposta: Os sintomas de Hiperatividade só estão presentes no tipo combinado e predominantemente hiperativo. No tipo predominantemente desatento não está presente o sintoma de hiperatividade.

Mito 10
“Uma vez diagnosticada como portadora do TDAH, a criança tem uma boa desculpa para seu rendimento escolar prejudicado.”
Resposta: Nem sempre o diagnóstico de TDAH responde por todas as questões referentes ao rendimento escolar prejudicado. Transtornos de aprendizagem como dislexia, discalculia, disortografia, má qualidade de ensino, didática equivocada, métodos de ensino obsoletos e falta de recursos pedagógicos podem explicar alguns casos que não necessariamente estão associados ao TDAH.
O TDAH é um transtorno da atenção. Uma vez que a atenção e concentração são condições necessárias para todo e qualquer processo de aprendizagem, o TDAH interfere no desempenho acadêmico e escolar global.

Mito 11
“Um tratamento à base apenas de medicamentos pode resolver satisfatoriamente quase todos os casos de TDAH.”
Resposta: O tratamento do TDAH está baseado em um tripé de ações: Psicoeducação (informação sobre o transtorno), Psicoterapia (nos casos em que há prejuízo psicológico) e Medicação.

Em todos os casos, a psicoeducação é elemento fundamental e prioritário para o tratamento do TDAH.
Fonte: Artigos do Dr. Sergio Bourbon (adaptado)